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Sistemas de fornecimento de energia para o surf
Voltar  Home  Imprimir esta página   27/01/2017


Por Fabio Ulbrich Machado
Profissional da Educação Física - Registro Profissional: CREF 009370-G/RS
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O surfe consiste em numerosos padrões de movimentos que requerem a participação de todo o corpo extraindo energia dos três sistemas, são eles:
1. Sistema do ATP-CP / Via Anaeróbia Alática;
2. Sistema Glicolítico / Via Anaeróbia Lática;
3. Sistema da Fosforilação Oxidativa / Via Aeróbia.

Todo o músculo necessita de energia para trabalhar, o que implica que qualquer exercício requer o fornecimento de energia. Esta energia encontra-se armazenada no músculo e em outros tecidos orgânicos, associada com algumas substâncias químicas: adenosina trifosfato (ATP), fosfocreatina (CP), hidratos de carbono, gordura e proteínas (Costill, 1992).
No entanto, a única fonte de energia química que o organismo consegue utilizar no processo de contração muscular provem do ATP, sendo as restantes fontes de energia utilizadas na sua síntese. Assim, a energia para toda a atividade física, seja ela de natureza aeróbia ou anaeróbia, provém da conversão de fosfatos de alta energia, adenosina trifosfato (ATP), em fosfatos de menor energia, adenosina difosfato (ADP).
A intensidade e a duração do exercício determinam qual o sistema energético utilizado (Janssen, 2001). Deste modo, de acordo com Wilmore & Costill, 1994; McArdle et al., 1998, podemos considerar que as células produzem ATP através dos três sistemas metabólicos:

1. Sistema do ATP-CP / Via Anaeróbia Alática:
Fonte de energia de curta duração do movimento.
Exemplo: Remada de aproximação e entrada na onda, e, as manobras explosivas e os movimentos rápidos como ficar em pé na prancha (drop).
Constitui o sistema energético mais simples e imediato de ressíntese de ATP, realizada através da energia fornecida pela fosfocreatina (CP) existente nos músculos estriados e que pode durar até 13 segundos (+-).
Este sistema de produção de energia não depende de oxigênio e sim da energia acumulada nos músculos sob a forma de fosfocreatina (CP).
O treinamento de explosão, ou seja, power surf, é fundamental no surfe, sendo avaliado através da medida da potência anaeróbia alática. Os treinos que podem ser utilizados para desenvolver a explosão para o surfe incluem:
Os exercícios com pesos em movimentos explosivos, realizados no sentido de ganho de explosão e não de hipertrofia;
Os exercícios pliométricos são mais efetivos para o surfista ganhar força nas pernas. Incluem os exercícios de agachamento, flexão e extensão, salto, polichinelo;
Os sprints (corridas de 100m), os tiros de 25m de natação ou tiros de remada são usados em várias series com intervalos de 30 a 40 segundos de recuperação.

2. Sistema Glicolítico / Via Anaeróbia Lática:
Fonte de energia para os primeiros minutos do movimento.
Exemplo: remada de entrada no mar, utilizada para alcançar o outside (onde entram as séries das ondas). É uma remada rápida com extensos períodos (se comparada com os outros tipos, sendo dependente das condições do mar).
Este sistema fornece energia através da queima do glicogênio (açucares) nos músculos e no fígado, sem que haja necessidade de oxigênio e resulta na produção de acido lático (lactato). O glicogénio é sintetizado a partir da glicose, através de um processo designado de glicogénese. Seguidamente, é armazenado no fígado ou nos músculos até que seja novamente necessário. Sempre que necessário, o glicogénio pode funcionar como fonte de glicose para a obtenção de energia a partir de um processo designado por glicogenólise (Wilmore & Costill, 1994; Guyton et al., 1997; McArdle et al., 1998).
Segundo Bompa (2002) o treinamento intervalado é uma boa opção, usando-se a repetição de várias series de exercícios de curta duração e alta intensidade, como as corridas de 300m, natação de 50m, remadas na prancha com 60 a 90 segundos de duração, num esforço submáximo com intervalos de descanso de 1 a 2 minutos entre as series.

3. Sistema da Fosforilação Oxidativa / Via Aeróbia:
Fonte de energia de longa duração.
Exemplo: remada de deslocamento no pico (após a remada de entrada no mar alcançando o outside) e remada para se manter no pico (quando há correnteza).
A via oxidativa é descrita como sendo um processo mais complexo, mais lento e de maior capacidade de formação de ATP das três vias energéticas, envolvendo o oxigênio nas suas reações metabólicas. As reações aeróbias proporcionam um importante estágio final para a transferência de energia, particularmente se a duração do exercício vigoroso for superior a alguns minutos (McArdle et al., 1998).
Em atividades com uma duração superior a dois minutos (na modalidade do Atletismo, em provas com distâncias superiores a 800 metros), a via aeróbia é o sistema predominante no fornecimento de energia (Carnes, 2000). À medida que a intensidade do exercício aumenta, o nível de lactato sobe bruscamente e a pessoa entra de imediato em exaustão (McArdle et al., 1998).
Vital para o surfista, a Via Aeróbia, representa a capacidade máxima do corpo em assimilar e distribuir aos músculos oxigênio durante as atividades de longa duração e de média a alta intensidade, ou seja, fornece energia para a base do surfe nas repetidas sessões no mesmo dia, em ondas extensas e com correnteza.
O teste de VO2 máximo deve ser especifico para cada esporte. Assim a avaliação ergométrica do surfista realizada em esteira não oferece sua real condição aeróbia, já que ele não é um corredor e nem ciclista.
De acordo com Steinman (2003) a ideal avaliação aeróbia no surfe é feita através do teste máximo realizado num cicloergômetro Monark modificado e adaptado para os braços ou numa piscina equipada, onde a avaliação é feita a partir da remada sobre a prancha (simulando a remada no surfe), com coleta simultânea dos gases respiratórios, quando se mede a quantidade de dióxido de carbono produzida e a quantidade de oxigênio consumida na respiração.
Também como parâmetro de avaliação, o acumulo do ácido lático (lactato), em muitos casos, relaciona-se com a diminuição da capacidade de gerar força e a diminuição do pH muscular é muitas vezes considerada a principal causa da fadiga ao nível do músculo (Sahlin, 1992). A avaliação da curva do lactato durante os tiros de remada em intensidade crescente também pode ser usada para a avaliação aeróbia.
Para melhorar a capacidade aeróbia deve-se treinar no ponto máximo deste sistema, ou seja, no limiar lático, que corresponde à intensidade máxima do exercício, onde os níveis de lactato no sangue permanecem inalterados. Assim, quanto mais próximo do limiar lático for o treino, maior será o desenvolvimento do endurace cardiorrespiratório e maior será a capacidade de surfar um grande swell.
Outro parâmetro indireto para monitorar a capacidade aeróbia inclui a frequência cardíaca após o termino de cada treino ou após cada onda. Surfistas com grande capacidade aeróbia irão recuperar-se de exercícios anaeróbios (explosão e resistência) mais rapidamente. Determinada principalmente pela herança genética (pais), a capacidade aeróbia pode melhorar cerca de 20 a 25% com o treino aeróbio. Os esportes mais recomendados são o ciclismo, a natação, a corrida, o remo e é claro o próprio surfe.
Longe dos grandes laboratórios de avaliação, pode-se prescrever uma zona de treinamento aeróbio a partir da frequência cardíaca máxima com a seguinte formula: Frequência cardíaca (FC) máxima = 220 – idade (apresenta um erro padrão de +- ~10 bpm). A zona de treinamento aeróbio fica entre 60 e 85% da frequência cardíaca máxima, estando o limiar anaeróbio mais próximo possível do nível superior. Por exemplo: um surfista de 28 anos de idade tem uma frequência cardíaca máxima de 192 bpm e sua zona de treinamento será entre 115 e 163 bpm (lembrando que apresenta um erro padrão de +- ~10 bpm).
Segundo estudos realizados por pesquisadores do CELAFISCS (2001), a frequência cardíaca média em uma sessão de surfe recreacional é de 145bpm, sendo uma atividade de intensidade leve a moderada, o fundamento que ocupou a maior parte do tempo total foram as remadas com 54,4%, sendo que o tempo ocupado na onda foi de apenas 3,7%; sendo assim, as remadas se constituem o principal fundamento do surfe.

Referências:

Bompa, T. Periodização: Teoria e Metodologia do Treinamento. Editora Phorte, 2002. 423p.

Brasil, Fernanda; Andrade, Douglas; Oliveira, Luis carlos; Ribeiro, Marcos; Matsudo, Victor. Freqüência cardíaca e tempo de movimento durante o surfe recreacional. Revista Brasileira de ciência e movimento, Celafiscs-SP, outubro 2001, v.9, n° 4, p.65-75.

Carnes, Jimmy. Training the Energy Systems. Track and Field Coaches Review, 73: 18-20. 2000.

Costill, D. L. Lactate metabolism for swimming. In: D. Maclaren, T. Reilly e A. Lees (Eds). Biomechanics and Medicine in Swimming, Swimming Science VI. University Park Press, Cambridge, 1992. pp. 3-11.

Guyton, A. C. & Hall, J. E. Fisiologia Humana e Mecanismos das Doenças (6ª ed). Rio de Janeiro: Editora Guanabara Koogan, 1998.

Janssen, Peter, M. D. Lactate Threshold Training- Running, Cycling, Multisport, Rowing, X-Country Skiing. USA: Human Kinetics. 2001.

McArdle, W., Katch, F. & Katch, V. Fisiologia do Exercício, Energia, Nutrição e Desempenho Humano. Rio de Janeiro: Editora Guanabara Koogan. 1998.

Sahlin, K. Metabolic aspects of fatigue in humam skeletal muscle. In: P. Marconnet, P. V. Komi, B. Saltin, O.M. Sejersted (Eds). Muscle Fatigue Mechanisms in Exercise and Training. Med Sport Sci. 1992. Basel, Karger, 27: 120-139.

Steinman, J. Surfe & Saúde. Florianópolis: Tao, 2003. 527p.

Wilmore, J. & Costill, D. Fisiologia del Esfuerzo y del Deporte. 3th Edition. Barcelona: Editorial Paidotribo. 2000.


Antes de fazer qualquer atividade física, procure orientação de um profissional qualificado, habilitado e capacitado. Peça a cédula de identidade profissional.
Informe-se pelos sites:
http://www.confef.org.br
http://www.crefrs.org.br


  

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