Nas Antigas

O PRIMEIRO PILAR A GENTE NUNCA ESQUECE

Por: André Jung

André Jung em 1988 na Malvina

     Quando comecei a surfar, no início dos anos 80, a plataforma de Tramandaí já era o pico preferido da galera, freqüentada por muitos surfistas que ainda hoje se mantém fissurados, surfando aqui ou em outros mares.

André no Backdoor da plataforma antes mesmo de ser chamado assim

     Quanto a isto nada mudou, mas em relação ao pico propriamente dito a mudança foi radical, pois até meados da década de 80 a plataforma era menor e reta, tendo na sua extremidade dois pilares deslocados e inclinados, decorrentes de uma parte que ruiu, numa época na qual não presenciei. Tais pilares, que foram palco de muitas seções de horror, ficavam no ponto em que hoje estão aqueles três pilares do Backdoor. Não me recordo bem o ano em que teve início a ampliação da plataforma, provavelmente 1984, quando então, para a felicidade dos surfistas, os pilares começaram a ser produzidos em cima da plataforma e posteriormente levados por trilhos até o local de implantação no mar.

André na malvina em 1991

     Era um processo lento e o projeto “proibido para surfistas” fazia com que fossem levantadas variadas teorias por parte dos mais experientes e viajados. Essa parte da história pode ser contada mais detalhadamente por muitos surfistas da época, mas o episódio que só a mim pertence o mérito de ter presenciado foi a colocação do primeiro pilar da Malvina, numa linda manhã de verão, bem cedinho, junto aos primeiros raios de sol, quando solitário na água assisti ao nascimento de uma nova era do surf gaúcho.

André frente ao Hotel Plaza em Itapema -SC 1989

    Quanto ao sentimento de pegar uma onda na Malvina, naqueles hoje tão raros dias em que ela quebra clássica bem ao lado dos pilares, posso afirmar que é muito especial para mim, tanto pelo episódio acima narrado, quanto pelo fato de trazer a tona lembranças de muitos amigos desta época.

    Surf para sempre, respeite o próximo e proteja a natureza.

Abraços, André Jung .